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03
Fev
Crítica: Viagem 2 — A Ilha Misteriosa, de Brad Peyton
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MATINÊ INDIGESTA
Trama con­fusa e roteiro lotado de cli­chês des­per­di­çam poten­cial de Viagem 2

Por Paulo Floro

Inspirado nas obras do escri­tor Julio Verne, Viagem 2: A Ilha Misteriosa, que estreia no Brasil esta semana, é uma das pio­res por­tas de entrada ao uni­verso rico e ima­gi­na­tivo do autor fran­cês. E, se o resul­tado final é ruim, o longa não tem nem mesmo boas inten­ções. A des­peito da pre­ten­são de uti­li­zar as his­tó­rias de Verne, o filme é um amon­to­ado de cli­chês e diá­logo pouco inspirados.

Este filme é um con­ti­nu­a­ção de Viagem Ao Centro da Terra (2008), mas a pro­du­ção se esforça pouco para con­tex­tu­a­li­zar o espec­ta­dor. Quase todo o elenco mudou, com exce­ção de Josh Hutcherson, o herói da fran­quia. A trama agora vai levar os per­so­na­gens até uma ilha escon­dida no Pacífico Sul, onde Sean (Hutcherson) recebe sinais de rádio envi­a­dos pelo avó. Ao lado de seu padrasto (Dwayne Johnson), ele parte para uma aven­tura que irá fazer diver­sas refe­rên­cias às obras de Verne e de outros auto­res clás­si­cos de aventura.

A ilha que o filme cria é uma mis­tura de três ilhas famo­sas pre­sen­tes nos livros A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift e a A Ilha Misteriosa, de Verne, que batiza o longa. Quem leu essas obras quando cri­an­ças ou ainda são fãs dos auto­res atu­al­mente, con­vém man­ter dis­tân­cia dos cine­mas para não ter ata­ques de raiva. O roteiro é con­fuso e temos a impres­são de que tudo foi cos­tu­rado sem muito cri­té­rio. Tudo é jogado fre­ne­ti­ca­mente na tela, do Nautilus, pas­sando pelo reino per­dido de Atlântida.

Não há tempo para criar o menor nível de envol­vi­mento com o enredo. O filme ainda falha ao ten­tar abor­dar o tema do aban­dono fami­liar e a busca por uma figura paterna. Outro enredo para­lelo é o cli­chê máximo da pai­xo­nite ado­les­cente, neste caso tendo Vanessa Hudgens como figura femi­nina. Sua pre­sença é tão robó­tica que quase não a per­ce­be­mos na tela (ainda bem que a colo­ca­ram em situ­a­ções de morte imi­nente, pois é difí­cil encontrá-la na tela). Ainda mais curi­oso é Michael Caine nesse pape­lão. Ele inter­preta o avô do pro­ta­go­nista, um velho sábio e aven­tu­reiro que lar­gou tudo para morar numa ilha secreta.

Nem os efei­tos espe­ci­ais e todos os recur­sos dis­po­ní­veis hoje em dia para um block­bus­ter sal­vam o filme. Não há des­lum­bre em ver Michael Caine voando em uma abe­lha gigante, nem Johnson e Hutcherson lutando con­tra uma enguia no fundo do mar. Sem uma boa his­tó­ria pra sus­ten­tar, esses cenas são esque­cí­veis. O que coroa o filme é o momento cons­tran­ge­dor em que o pai ado­tivo ensina ao menino Sean como con­quis­tar mulhe­res mexendo os mami­los. Preferimos acre­di­tar que esta cena seja um humor negro de um dire­tor que já dava como certo que a fran­quia Viagem já está fadada ao fra­casso total. Não con­sigo pen­sar em outra coisa. O 3D até tem bons momen­tos, mas não acres­centa muito ao resul­tado final.

Quem se sai pior nessa his­tó­ria é Josh Hutcherson, que se mos­trou um bom ator no longa Minhas Mães e Meu Pai e que, agora mais do que nunca, pre­cisa de bons fil­mes para se afas­tar desse flop. O que pode­ria ser uma inte­res­sante matinê com recur­sos visu­ais ins­ti­gan­tes, aca­bou trans­for­mado em puro entre­te­ni­mento ruim. Quanto desperdício.

2
VIAGEM 2 — A ILHA MISTERIOSA
Brad Peyton [Journey 2: The Mysterious Island, EUA, 2012]
Warner Bros. Nota: 1,4

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Fonte: o grito
Última atualização em Sáb, 04 de Fevereiro de 2012 00:04
 
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